domingo, 13 de setembro de 2015

Fontes de sofrimento

Quais são as maiores fontes do nosso sofrimento enquanto seres humanos? As respostas variam consoante a história particular de cada um e o olhar que privilegiam (político, social, psicológico, etc). Dentro do domínio da Psicologia, dependem também da orientação teórica que é adotada.

A minha experiência de terapeuta confirma o que representa agora um consenso geral. Muito do sofrimento que as pessoas vivenciam tem a sua origem em feridas psicológicas que resultam das suas Experiências Precoces de relacionamento com as figuras maternas e paternas (que, como aqui se deixa implícito, não têm de ser necessariamente a mãe e o pai biológicos). Refiro-me, em particular, a abandono, ou a abuso, ou ainda a negligência por parte destas figuras. Estas experiências e as suas sequelas talvez não possam ser mudadas; mas pode-se mudar a nossa relação com elas.

Um segundo factor determinante na quantidade e qualidade do sofrimento que acumulamos nas nossas vidas tem a sua origem e alimento na Ignorância. Ignorância sobre qual a melhor forma de nos relacionarmos uns com os outros (a começar logo com as crianças pequenas) e de nos relacionarmos connosco próprios (e com tudo o que a nossa condição humana acarreta). E aqui a solução é simples (embora talvez não fácil): não só cultivar a abertura e a vontade de aprender, mas também permitirmo-nos pedir ajuda.

Muitas formas pode tomar o sofrimento de cada um. Há uma parte que é inevitável, inerente à condição de seres humanos vivos: a doença, a perda, a morte. Mas há outra parte que é, digamos, "flutuante", varia de pessoa para pessoa. Neste último domínio podemos encontrar emoções desagradáveis em excesso (medo, vergonha, culpa, raiva, por exemplo), que distorcem a nossa adaptabilidade e sentido da realidade, e que conduzem a extremas dificuldades nos relacionamentos com os outros (família e não família).

Uma última palavra para esta sociedade que parece proporcionar uma maior abundância (apenas para alguns, claro) em termos materiais e que, no resto, apenas tem feito por amplificar esse sofrimento. O poder, o explícito e aquele que não é visível, têm trabalhado para isto acontecer com fins claros de acumulação de riqueza e de conseguir uma maior subjugação da maioria por uma minoria. E não com fins de aumentar o bem-estar das pessoas e das famílias.

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